Apesar dos escândalos de corrupção e crise política que ainda assombram o país, a economia brasileira começa a crescer novamente.

luz no fim do túnel

O Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador importante na medida da atividade econômica do país. Uma subida no PIB indica que a economia vai bem, enquanto uma queda indica o encolhimento dela. Em resumo, o PIB revela o quanto se produz, consome ou se investe em um país.

O PIB utiliza a metodologia do valor agregado, considerando em seu cálculo a soma de todos os bens e serviços finais produzidos na economia em um período de tempo, geralmente um ano. O índice só considera os bens e serviços finais, de forma a não calcular a mesma coisa duas vezes.

A fórmula utilizada para o cálculo do PIB é a seguinte: C + I + G + (X-M), onde “C” indica o consumo privado, “I” indica a totalidade de investimentos no período, “G” indica os gastos do governo e “X-M” indica a diferença entre o volume de exportações e o volume de importações no período de análise.

Nos últimos períodos, especificamente nos últimos dois anos, o PIB brasileiro esteve em queda. Em 2015 encolheu 3,8% em relação ao ano anterior, e no ano de 2016, confirmando o período de recessão, apresentou uma retração de 3,6 % na comparação com 2015. Uma sequência negativa de dois anos consecutivos só havia sido verificada no Brasil entre 1930 e 1931.

No entanto, como divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nessa quinta-feira, 15/03, a economia brasileira voltou a respirar. De acordo com os dados divulgados, o crescimento do PIB foi de 1%. Pode-se dizer que é um crescimento modesto, porém superior ao projetado no início de 2017 pelos economistas do Banco Central. Após a grave recessão, por menor que seja, um crescimento do PIB deve ser motivo de comemoração.

Motivos da melhora

Diante de um cenário não muito promissor, qual a explicação para a recuperação da economia? Existem alguns fatores que afetaram a subida do PIB no último ano.

O setor agrícola tem grande influência sobre o PIB brasileiro. Considerando a supersafra do ano de 2017, boa parte do crescimento veio da lavoura, já que o PIB da agropecuária cresceu 13% em 2017. Segundo a economista Silvia Matos (FGV), o setor respondeu por cerca de 0,7% do crescimento da economia no ano passado.

A queda da inflação, fechando o ano em 2,95%, abaixo da meta fixada pelo governo, também foi positiva para o crescimento do PIB, uma vez que a desaceleração da inflação ajuda na recuperação da economia e consequente aumento do consumo, como já falamos por aqui. A baixa inflação também está relacionada com a supersafra, que permitiu que os preços dos alimentos ficassem mais baratos.

Com a inflação desacelerada, o Banco Central foi reduzindo gradativamente a taxa de juros básica da economia (SELIC). Em fevereiro, ela foi reduzida pela 11º vez e ficou na taxa de 6,75% ao ano. A queda na taxa de juros reduz o risco de endividamento das famílias e empresas, criando-se condições favoráveis para a retomada do crescimento da economia.

Da mesma forma, ao liberar os saques das contas inativas do FGTS e do PIS/PASEP para os idosos, o governo federal, estrategicamente reaqueceu a economia. Foram injetados cerca de 44 bilhões de reais, beneficiando mais de 25 milhões de trabalhadores. Isso fez com que o consumo das famílias crescesse a partir do segundo semestre do ano.

Impulsionado pelos demais fatores, o consumo das famílias também cresceu. Segundo o IBGE, esse aumento foi de 1% no último ano. Sendo o consumo “C” o componente de maior impacto no cálculo do PIB, é evidente que a alta fez com que a economia também crescesse.

Além disso, outros fatores também impactaram positivamente os agregados do PIB, entre eles o ambiente internacional favorável, a retoma nos investimentos e a alta nos preços do petróleo e do minério de ferro.

Após um cenário de recessão vivido em 2015 e 2016, o ano de 2017 apresentou surpresas positivas que permitiram o aumento no consumo, a retomada nos investimentos, melhora da confiança da população e consequente crescimento do Produto Interno Bruto. E para 2018, o que podemos esperar?

As projeções são positivas. Segundo o boletim Focus, o PIB deve apresentar um crescimento de 2,7% e a inflação ficar na casa dos 3,96%. As maiores dúvidas ficam por conta das eleições presidenciais, já que há dificuldade de se realizarem as reformas econômicas e o índice de desemprego continua elevado. Ainda assim, é importante que não deixemos de acreditar em um cenário positivo.

Gostou do texto ou quer nos dar alguma dica? Entre em contato com a equipe da Econsult por aqui ou pelas nossas redes sociais!