Além de afetar o poder de compra das pessoas, os esforços de controle da inflação podem influenciar as taxas de desemprego de um país.

Inflação e Desemprego

A inflação tem mais poder sobre o dia a dia das pessoas do se imagina. A perda do poder de compra é apenas uma das faces imediatas dela. A outra face oculta, que é o aumento do desemprego, pode afetar ainda mais o cotidiano. Apesar disso, a relação entre desemprego e inflação pode ser pouco óbvia e isso é o que tentaremos explicar nesse post.

Antes de falarmos propriamente dessa relação, porém, devemos entender o que é inflação e as formas de combatê-la, já que a ligação entre inflação e desemprego passa pela ação da política monetária do país.

A inflação, como já tratamos aqui no Blog, é o aumento generalizado de todos os preços em uma determinada economia. Se ela se aumenta, isso indica que o preços de bens e serviços estão crescendo e, portanto, a quantidade de bens e serviços que os consumidores podem adquirir está diminuindo, isto é, as pessoas ficam mais pobres com o aumento da inflação.

Existem duas causas principais para a inflação: o desencontro entre demanda e oferta e as expectativas dos agentes sobre os preços futuros.

Quando a demanda por bens é maior que a oferta, eles se tornam mais escassos relativamente, isto é, há mais demandantes que produtos ofertados. O aumento de preços é a maneira do mercado equilibrar as foças de demanda e oferta, isto é, o preço aumenta até o ponto em que a quantidade demandada é igual à quantidade ofertada. Se isso ocorre nos mercados de vários bens na economia, inicia-se um processo inflacionário. Esse tipo de inflação pode ser denominada de inflação de demanda.

A principal causa para a inflação de demanda é, em geral, a elevação da renda dos consumidores a uma taxa maior do que a economia consegue produzir. Esse fenômeno pode ser originado pelo gasto excessivo do governo, aumento do salários acima da produtividade ou quando a economia está operando no pleno emprego.

Quando se trata do terceiro motivo, a economia já está produzindo na sua capacidade máxima, de modo que para produzir mais é necessário expandir a capacidade de produção e isso é difícil de fazer no curto prazo. Portanto, nessa situação, qualquer aumento na demanda induzirá ao aumento de preços, dado que a oferta está fixa.

Outro grande motivo para o desencontro entre demanda e oferta são choques que reduzem a oferta de um momento para outro. Isso faz com que a demanda seja maior que a oferta, mesmo que a demanda não esteja variando. O exemplo clássico disso é o choque internacional do petróleo ocorrido na década de 70, nesse período, a OPEP decidiu reduzir drasticamente a ofertam mundial de petróleo, o reequilíbrio nesse mercado elevou rapidamente o preço dessa commodity. O petróleo é um insumo que está na base da produção de diversos bens e serviços da economia, a elevação do preço nesse mercado irradiou-se por toda a economia conduzindo a elevação generalizada dos preços.

A outra grande causa da inflação são as expectativas. Quando grande parte dos agentes econômicos esperam que os preços no futuro aumentem, isso levará ao aumento dos preços. Por exemplo, se todos esperam que os preços subam 10% no próximo mês, então todos aqueles que podem aumentarão seus preços em 10% para que não percam seu poder de compra. Esse mecanismo faz com que os preços aumentem, mesmo que não haja nenhum desequilíbrio entre oferta e demanda. Já as expectativas sobre inflação dependem do nível de atividade, da credibilidade da autoridade econômica e em parte da inflação ocorrida no passado.

Em geral, uma taxa de inflação alta não é bom, pois ela tem efeitos indesejáveis sobre a economia. Ela corrói o poder de compra das famílias; aumenta a desigualdade – uma vez que os mais pobres não têm acesso ao sistema bancário para se proteger; ela não é neutra, isto é, o preços de bens diferentes não crescem de forma igual, isso causa distorções na alocação de recursos na economia e, por fim, inflação alta gera mais inflação: os agentes ao observarem uma inflação alta no passado esperam inflação alta no futuro. Desta forma, o Banco Central atua através da política monetária de modo a alcançar determinada taxa de inflação considerada aceitável.

A taxa de juros é a principal instrumento do banco central para o controle da inflação. Quando o juros aumenta, comprar títulos públicos passa a ser mais rentável, assim o consumidores deixam de demandar bens e serviços para comprar títulos públicos, reduzindo, desta forma, a demanda. Além disso, o crédito se torna mais caro, o que contribui para a redução da demanda por bens e serviços.

Por outro lado, o aumento do juros afeta o investimento: pois se torna mais rentável comprar títulos públicos de baixo risco do que realizar projetos, que em geral, tem maior risco. A redução de investimento reduz o ritmo de crescimento da economia e isso, por sua vez, reduz a taxa de emprego. Assim, o processo de controle da inflação tem um custo social que é a redução do emprego. Esse custo é chamado de taxa de sacrifício, que mede a quantidade de desemprego gerado para reduzir a inflação em um ponto percentual (p.p.). Além disso, essa taxa não é constante, uma das variáveis que a influencia é a credibilidade da autoridade monetária.

Como já foi mencionado, inflação futura depende das expectativas do agentes sobre o preços no futuro. Porém, se a autoridade monetária tem credibilidade, isto é, as pessoas acreditam que o banco central de fato vai levar a inflação à meta estipulada por ele, então as expectativas de inflação delas tende a se aproximar da meta estabelecida, quando isso ocorre, diz-se que as expectativas estão ancoradas.

Considere duas situações em que o Banco Central deve levar uma determinada taxa de inflação à meta, na situação 1, o Banco Central tem credibilidade, na situação 2, ele não tem credibilidade. Na primeira situação, as expectativas de inflação convergem para a meta e será necessário um aumento pequeno da taxa de juros para reduzir a inflação, isso implica um taxa de sacrifício pequeno. Já na situação 2, as expectativas de inflação não convergem para meta e o Banco Central terá que aumentar bastante a taxa de juros para produzir o mesmo efeito, assim, a taxa de sacrifício é maior. Assim, quanto maior a credibilidade da autoridade monetária, menor o custo de desinflação de uma economia.

Portanto, a inflação alta no presente influencia negativamente o nível de emprego no futuro. Evidentemente, estamos supondo que a autoridade monetária está preocupada em manter a inflação em um patamar aceitável. Além disso, se a inflação está baixa no presente, o Banco Central pode manter a taxa de juros em um nível baixo e, desta forma, incentivar a atividade econômica, o que pode resultar em um taxa de emprego maior no futuro.

Ainda tem dúvidas sobre a relação entre desemprego e inflação? Deixe um comentário por aqui ou converse diretamente com a gente pelas nossas redes sociais!