Muito além de índices complexos, a Economia está em grande parte das decisões que você toma e molda seu estilo de vida.

indicadores macroeconômicos

Todos os dias as pessoas se deparam com situações em que precisam fazer escolhas.  A cada minuto elas tomam decisões que implicam em “abrir mão” de alguma outra coisa. Por mais que, muitas vezes, elas não percebam, a Economia está no cotidiano, intrinsecamente atrelada ao seu dia a dia.

De acordo com o economista britânico Lionel Robbins (1932), a Economia é uma ciência que tem como objetivo estudar o comportamento humano como uma inter-relação entre recursos escassos que possuem usos alternativos. Essa ideia está em consonância como pensamento do economista americano Thomas Sowell. Segundo ele, a escassez é a primeira lição da Economia. Diante disso, é interessante analisar como essa ciência funciona e quais aspectos de sua dinâmica interferem diretamente na vida cotidiana, levando em conta a influência dos indicadores macroeconômicos.

Para compreender a dinâmica econômica é necessário entender que essas escolhas acontecem em um determinado ambiente. Segundo o ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2012, Alvin Roth (2016), os mercados são artefatos humanos e estão em toda parte, e é dentro desse ambiente de mercado que as escolhas acontecem.

Dessa forma, compreender a alocação de recursos e como se dão as escolhas é também compreender como funcionam os mercados. Muito da dinâmica econômica que implica em consequências diretas no dia a dia pode ser mensurada através de indicadores macroeconômicos que refletem o andamento de determinados mercados.

Na abordagem de Garcia e Vasconcellos (2002), a Macroeconomia estuda o comportamento de grandes agregados econômicos. Para compreender o comportamento desses grandes agregados e dos indicadores que os mensuram, é preciso conhecer o “ambiente” no qual tais escolhas ganham forma e de que maneira eles refletem e impactam o estilo de vida das pessoas.

Por isso a estrutura Macroeconômica pode ser dividida em quatro grandes mercados: Mercado de Bens e Serviços, Mercado de Trabalho, Mercado Monetário e de Títulos e Mercado de divisas. A partir dos indicadores que mensuram o funcionamento desses mercados, é possível observar como a Economia é uma ciência que tem muito mais impacto no cotidiano do que aparenta ter.

Provavelmente as pessoas escutam muito a respeito de índices de preço, mas qual é o real impacto deles em seus estilos de vida? Para responder essa pergunta serão utilizados como exemplo dois indicadores: O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O IGP-M é um índice de inflação utilizado principalmente pelo mercado imobiliário. Ele impacta diretamente a vida das pessoas na medida em que é utilizado para correção de contratos de aluguel, além de indexar algumas tarifas.

Dessa forma, se o IGP-M apresentar variação percentual positiva, no agregado, as pessoas vão passar a destinar uma maior parte da sua renda para pagar aluguéis, o que, consequentemente, refletirá negativamente no seu estilo de vida, visto que elas tenderão a reduzir seus gastos com consumo.

Já o IPCA é um índice que mesura inflação de um conjunto de bens e serviços comercializados e dessa forma, reflete bem a variação dos preços para o consumidor final. Além disso, ele é o principal indicador utilizado pelo Banco Central para o controle da meta inflacionária.

Mas como ele realmente impacta o cotidiano e qual é sua relação com os demais indicadores macroeconômicos? O IPCA nada mais é do que um medidor de poder de compra. O aumento da variação percentual indica que, no agregado, os preços estão aumentando. Isso implica na redução do poder de compra, caso contrário, numa situação de variação negativa, deflação, ocorre aumento no poder de compra.

No entanto, será que é interessante para economia e para o estilo de vida das pessoas que o IPCA apresente valores negativos? A resposta para essa pergunta é não. Isso porque o IPCA está intimamente relacionado como outros indicadores macroeconômicos, principalmente taxa de juros e de desemprego, e esse resultado negativo pode trazer consequências para demais áreas da economia.

De acordo com a literatura econômica, existe um trade-off entre desemprego e inflação, como já tratamos por aqui. Ou seja, como dito pelos economistas americanos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia em 1970 e 1987, respectivamente, existe uma relação inversa entre as variáveis desemprego e inflação. Essa relação é chamada de Curva de Phillips e indica que é necessário escolher entre manter baixo o nível de preços ou diminuir o número de pessoas desempregadas nessa economia.

Dessa forma, para alguns economistas, uma variação percentual negativa do IPCA, no curto prazo, indica que provavelmente essa economia apresenta uma alta taxa de desocupação. Como o nível de emprego é um bom indicativo do desempenho da atividade econômica (DORNBUSCH e FISCHER, 1991), o alto nível de desemprego pode indicar um baixo crescimento ou retração da economia do país.

O gráfico abaixo traz a série histórica do IPCA e da taxa desocupação no Brasil entre 2012 e 2017. Ao longo do gráfico é possível perceber a relação inversa entre as variáveis. No entanto, é importante ressaltar que a forma que tais variáveis se relacionam varia de acordo com cada país e ao longo do tempo (BLANCHARD,2005).

Como pode ser observado na imagem, entre 2014 e 2015 as variáveis inflação e desemprego apresentaram relações diretas. Isso pode ocorrer por diferentes fatores tais como: expectativas, taxa de juros e demais outros.

Série Histórica Desemprego e Inflação (2012-2017)
Fonte: IBGE. Elaboração: Econsult

Ao observar o gráfico, talvez surja uma dúvida comum: Se o IPCA, que é um bom indicativo da inflação, está em processo de desinflação, ou seja, sua variação percentual tem crescido a taxas inferiores desde seu pico em 2015, por que a gasolina tem aumentado mais proporcionalmente do que o índice?

O IPCA mede a inflação de forma agregada, por isso é um bom indicador do aumento do custo de vida para o consumidor final. No entanto, mensurar de forma agregada faz com que parte da dinâmica do processo inflacionário se perca, pois, os preços dos bens e serviços apresentam comportamentos bens específicos e que variam muito entre si. (SERVILHANO, 2001).

Por mais que o preço da gasolina impacte o orçamento familiar, ele apresenta um comportamento diferente quando comparado aos demais itens da cesta de consumo. Isso ocorre, pois ele, comparativamente, possui maior flexibilidade, variando conforme a cotação do dólar e o preço do petróleo no mercado internacional, que tem apresentado aumentos significativos.

Além dos índices de Preços e da Taxa de Desocupação, outro indicador macroeconômico que impacta diretamente a vida das pessoas é Taxa Selic, pois além de influenciar a inflação, o nível de desemprego, a taxa de juros cobradas pelos bancos comerciais, ela também possui correlação com o crescimento econômico do país.

A Taxa Selic é taxa básica de juros da economia brasileira. Sua meta é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e é utilizada como instrumento de política monetária, além de regular o peso dos juros no país. Mas como ela impacta o crescimento econômico e o estilo de vida dos brasileiros?

A redução da meta Selic pelo Copom tem como objetivo estimular o aumento do consumo e do investimento. Isso ocorre, pois, ao reduzir a Selic os juros que pautam empréstimos e financiamentos tendem a se tornarem mais baratos, e, portanto, mais atrativos.

De acordo com a literatura econômica, o estímulo ao investimento faz com que ocorra aumento da capacidade produtiva do país. Dessa forma, o país pode produzir mais, aumentando a taxa de crescimento do PIB, que é a medida do valor de todos os bens e serviços produzidos no território nacional em um determinado período.

Mesmo que PIB nacional e qualidade de vida não sejam totalmente correlacionados, com o aumento do PIB tem-se o aumento da renda nacional, que traz impactos positivos ao padrão de vidas das pessoas.

Como a variação percentual do PIB é um indicativo de crescimento ou recessão, pode-se observar a correlação entre a diminuição da taxa de juros (Selic) e crescimento econômico.

O gráfico a seguir apresenta a série histórica da meta Selic e da variação percentual do PIB nacional de 2012 a 2017. Como pode-se observar pelas linhas do gráfico, quando houve a redução da taxa Selic a variação percentual do PIB aumentou, exceto de 2012 para 2013, quando ambas aumentaram.

Uma das possíveis causas desse aumento é a redução da taxa de desocupação de 7,3%, em 2012, para 7,1%, em 2013, segundo dados do IBGE.

Série Histórica PIB e Meta Selic (2012-2017)
Fonte: IBGE e Banco Cental. Elaboração: Econsult

De acordo com o gráfico, o Copom tem reduzido a taxa Selic desde seu pico em 2015. No entanto, a taxa de juros cobradas pelos bancos comerciais continuam altas e não tem refletido de forma proporcional os cortes na taxa básica realizados pelo Banco Central.

Para compreender essa disparidade entre a Selic e a taxas cobradas pelos bancos é importante conhecer o conceito de spread bancário, que é a diferença entre a taxa que o banco comercial paga pelos recursos e taxa que ele cobra ao emprestar para o mercado. Ou seja, a diferença entre a Selic e taxa de juros comercial.

De acordo com Miguel José Ribeiro, diretor executivo da Anefac, no Brasil, a taxa de juros comercial sofre influência da Selic e de outros cinco fatores: risco de calote, impostos, compulsórios, despesas administrativas e margem de lucros dos bancos. Por esses fatores, o cidadão paga uma taxa de juros maior do que a Selic, que é apenas uma pequena parte dentro do spread bancário brasileiro.

É perceptível que os indicadores macroeconômicos refletem a dinâmica da economia do país, sendo por isso que eles têm tanto impacto no padrão de vida do cidadão.

A renda, o poder de consumo, o custo de empréstimos e financiamentos, dentre outras variáveis que perpassam o cotidiano, estão vinculados ao desempenho da economia, sendo que por esse motivo é essencial a compreensão dos indicadores macroeconômicos.

Se você tem alguma dúvida ou quer deixar um recado para a nossa equipe, comente ou entre em contato pelas nossas redes sociais!